O conteúdo deste blog é PURAMENTE ficcional. Qualquer semelhança com a realidade é uma completa coincidência. U.U

19.7.10

Muito, muito longe.



Mães são animais estranhos que sempre te fazem sentir mal demais ou bem demais por algum motivo.
Minha mãe me apunhalou pelas costas.
Depois de uma semana fofa, forte, feliz, cheia de bons momentos, de coisas boas pra lembrar, de música, de arte, de amigos, de balões e confete, minha mãe me apunhalou bem no meio das costas. Ela teve um infarto, e ousou me culpar por estar de cama, dormindo, com 39.5 de febre, sem conseguir me levantar, depois de uma semana de evento.
Eu me senti culpada sozinha, sem precisar dela com o dedo apontado na minha cara, sem precisar dos gritos, e de todas as pessoas rindo de mim, e da sensação de que eu sou a pior pessoa do mundo.
Eu pensei, sim, que eu podia ter acordado e descoberto que minha mãe morreu. Eu pensei, sim, que eu podia nunca mais vê-la. Eu tive medo sozinha, sem que ela tentasse me mostrar o que ela imagina que eu não pude perceber.
Eu não estava lá pra cuidar dela, ela não estava lá pra cuidar de mim. E aí? Vamos eternamente culpar uma a outra? Não, porque eu não estou culpando ela, embora ela continue insistindo que é culpa minha. Eu só estou de cabeça baixa, ouvindo e aceitando, e me sentindo cada vez pior. De novo, e de novo.
Eu podia muito bem enfiar na minha cabeça que eu não tenho culpa, porque não tenho mesmo, e simplesmente deixar todas as conversas e reclamações dela no mute. Mas o peso daqueles olhos, e o tom de voz dela, me dizendo que eu não ligava pra ninguém... É esse tipo de pessoa que ela pensa que eu sou? Que não liga, que não se importa? Ela acha mesmo que se eu conseguisse, eu não teria ido lá e feito alguma coisa?
Mas ela nunca vai ouvir uma palavra sequer do que eu estou dizendo, e nunca vai saber como é se sentir assim. Porque quando se trata de mim, ela nunca vê ou ouve nada, nunca entende nada realmente, nunca abre os olhos ou os ouvidos pra nada.
Família é mesmo pra essas coisas. Machucar você, magoar seus sentimentos. Te fazer sentir mal. É pra você saber onde não errar quando quiser uma família só sua. É pra você saber o quanto é insignificante na vida das pessoas.
É difícil entender, eu acho. É difícil explicar também. É difícil continuar sentindo tudo isso. Mata por dentro...

Mas eu não quero que ela morra. Não quero que ela vá embora sem me dizer adeus. Não quero que ela desapareça. Só machuca tanto porque, apesar de tudo, essa a minha mãe. A mãe que eu amo. A mãe que eu queria que me amasse de volta.
E é por isso que, agora, eu queria tanto ir embora. Pra muito, muito longe. Pra onde a dor não pudesse me afetar. Pra onde eu não precisasse explicar pra minha própria mãe como eu estive doente e sozinha durante toda a manhã, como eu chorei quando eu chamei e ninguém me respondeu, onde eu pudesse esquecer o dia de hoje e só pensar em coisas boas, caminhar com os pés descalços na areia ou voar por entre as nuvens ou qualquer coisa que me ajudasse a não pensar.
Eu queria ir pra um lugar onde minha mãe não dissesse nunca mais "o que as pessoas devem pensar" ou "todo mundo acha" ou coisas assim. Onde ela se preocupasse comigo, com o que eu penso, com o que eu sinto, onde ela me contasse que está doente, que se sente mal, me pedisse ajuda, me considerasse alguém importante.
Eu só queria que ela, somente ela, me reconhecesse. Pelo menos uma vez.

16.7.10

Os Dias de Glória da Francesa.



Dia 1:
Scarlet: E aí?
Franecesa: Corrido... Acho que esse ano vai ser o pior.
Scarlet: Tabalhe duro, tá?
Francesa: Ok! ;)

Dia 2:
Scarlet: E aí?
Franecesa: Que loucura! Quem esses moleques pensam que são? Na idade deles eu respeitava os vendedores!! E aquelas meninas do tempo da escola que ficam passando na frente do stand, desfilando esses cosplays toscos delas, e andando com uns molequinhos dois anos mais novos vestidos de Naruto? Claro, tô morrendo de inveja minha filha, vai na fé! Desgraçadas...
Scarlet: Tabalhe duro, tá?
Francesa: Trabalhe duro?! É foda mano, é foda!

Dia 3:
Scarlet: E aí?
Franecesa: VOU MORRER! EU VOU MORRER! Abriram as portas do inferno 7:30 da manhã, a gente ainda nem tinha terminado de arrumar o stand quando os moleques começaram a entrar, ficavam berrando, pertgunta de lá, pergunta de cá... Isso aqui tá lotado desde 7:30 da manhã! 7:30!!! E aquela japonesa louca veio aqui do nada, ficou falando em japonês, eu tenho cara de quem entende japonês? Foi a treva mano! Eu dava uma mordida no sanduiche e vendia três coisas, mais uma mordida, mais três coisas, porra acabou tudo! E ainda falta quase duas horas pro evento fechar! O stand tá PELADO, mano! Cabou tudo! Aquele bonequinho que você comprou era o último, tô te falando! E os chaveirinhos do Mário? Deu meio dia a gente ligou pra loja pra mandar trazer mais! E já acabou tudo de novo! Loucura mano, loucura!
Scarlet: Tabalhe duro, tá?
Francesa: Trabalhe duro?! Falou aquela vai de camarote VIP pro show... Se você não fosse tão bonitinha eu juro que te odiava, Scarlet, eu JURO!

No quarto dia, a Francesa era um cadáver largado na cadeira do computador, com dores nos pulsos e no joelho, e 20 quilos mais magra.
Porque eu gosto de eventos de anime? Regularizam seus horários de sono nas férias, fazem você perder peso, e dá pra fazer as compras do ano sem precisar ir até a Liberdade. E, no caso da Francesa, dá pra faturar uma grana e ir pro The Cramberries de camarote VIP.

13.7.10

A boca ENORME da Pianista.


No cinema:

Scarlet: Mas que inferno de cara meloso!
Pianista Gostosa: E você pode falar alguma coisa? Você namora o Sr. Megalomaníaco.
Scarlet: Fica quieta.
Pianista Gostosa: Não, é sério. Ele entrou em crise só porque você não atendeu o telefone duas vezes. Ele é muito mais meloso que isso.
Scarlet: Pianista, lembra aquela hora em que você me perguntou se eu estava bem e eu disse que não?
Pianista Gostosa: Sim...
Scarlet: Lembra quando você perguntou se eu queria conversar, e eu falei que queria falar de qualquer coisa, MENOS do Sr. Megalomaníaco?
Pianista Gostosa: Sim, lembro.
Scarlet: Você está falando nele exatamente agora, meu bem.
Pianista Gostosa: Mas Scar, eu acho que...
Scarlet: E se continuar falando eu vou lembrar você da parte da conversa em que eu falei o que faria com você se você tocasse no assunto.
Pianista Gostosa: ... (vira pra tela e continua assistindo)

Apesar da falta de tato dela, eu não posso simplesmente MATÁ-LA. Estou em dívida com ela. Ela estava tentando agarrar o Sr. Workaholic, até eu ir lá e fisgá-lo. Eu escrevi FISGÁ-LO? Meeeu deus, me sinto uma tiazona de comédia romântica americana.

Cinema Fail.



Na ENOOOORME fila do cinema...

Scarlet: Aí eu me revoltei. Ver aquela vaca traindo o Naoki me dá um ÓDIO tão profundo que... Que...
Pianista Gostosa: Scarlet, para. Se empolgou de novo. Isso é só um dorama.
Francesa: Deixa ela. Eu também me revoltei. Que nem com a Yoo He-yi, naquele outro...
Cara do cinema: ATENÇÃO! Shrek esgotado! Shrek esgotado! Próxima sessão, 20:40! Toy Story, próxima sessão, 18:20! Toy Story, 18:20!
Francesa: Moço! E o Eclipse?
Cara do cinema: Eclipse? PFFFFF! Tá esgotado pelo resto da semana, agora só na próxima terça!
Scarlet: ah...
Pianista Gostosa:...
Francesa:...
Turista: Losers!!! Eu assisti na estréia. xP

Uma semana depois, nós assistimos o filme. SEM a Turista, é claro.

Um caminho sem volta.



Fiz uma lista de coisas pra fazer nas férias. Ela não saiu dos primeiros 6 itens, e ficou algo mais ou menos assim:

1. Assistir todos os filmes e doramas e seriados que eu baixei durante o semestre.
2. Assistir todos os filmes da lista que eu fiz pra assistir no semestre.
3. Perder 6 kg.
4. Terminar com o Sr. Megalomaníaco.
5. Começar a sair com o Sr. Workaholic (muito embora isso pareça um paradoxo).
6. Criar um blog anônimo.

Numa lista tão pequena, TÃO insignificante, eu consegui encontrar 4 pequenos obstáculos, que as pessoas afirmam serem minhas amigas, mas eu cheguei à conclusão de que elas na verdade são um teste, e que se eu passar, com certeza vou pro céu.
A primeira a protestar foi a Francesa. "Como assim?! Você vai terminar com o Sr. Megalomaníaco?! NÃO FAÇA ISSO!!!". Mesmo depois de acompanhar seis meses de sofrimento no seu relacionamento, só suas verdadeiras amigas são capazes de dizer isso. As otimistas, é claro, as que acreditam no futuro da humanidade, e que acham que vão estar vivas depois de 2012.
"Não saia com o Sr. Workaholic. Ele é MUITO chato. E eu acho que ele não gosta de você. Você sabe, com esse peso extra..." essa foi a Pianista Gostosa falando. O chato é que como ela é gostosa, ela pode falar essas coisas. Embora, claro, eu já tenha dito a ela várias vezes pra parar de falar como se fosse a fodona das tapiocas. Um dia alguém VAI se ofender. Tomara que não seja eu.
"Não vai conseguir assistir isso tudo. Tem mais filmes, doramas e seriados na sua lista/estante/HD do que horas em um mês. Se você nunca mais dormir, por dois meses e meio, pode ser que consiga." falou a Violinista Nerd. E ela estava completamente certa, como eu estou descobrindo no momento.
"Um blog anônimo. Porque uma pessoa iria ter interesse em criar um blog anônimo? Tá escondendo o quê de mim, Scarlet, que quer colocar num blog anônimo?" e essa foi a Turista. Pra uma pessoa que nunca tem nada pra fazer além de passear e matar tempo por aí, ela desenvolveu uma bela paranóia. Resistir aos impulsos de estrangular ela tem sido cada vez mais difícil.

O que nós aprendemos com tudo isso? Amizade é um caminho sem volta.
Uma vez que você dá intimidade pras desgraçadas, já era. Nunca mais se tem sossego, nem uma opinião mentirosa porém tranquilizadora (que é o que você quer ouvir em determinados momentos), nem apoio moral, e principalmente, nunca mais se tem dignidade.
Porque eu ainda amo tanto essas imbecis? Pra essa pergunta eu não tenho nenhuma resposta coerente.

12.7.10

Amar é...



Amar alguém é se abrir para o sofrimento.
Essa é a triste verdade.
Talvez ele quebre seu coração, talvez você quebre o coração dele, e vocês nunca mais serão capazes de se ver da mesma forma.
Esses são os riscos. Esse é o fardo.
Como asas, o amor tem peso, sentimos seu peso em nossas costas, mas é um fardo que nos eleva, que nos permite voar...

[Adaptado de Bones]