O conteúdo deste blog é PURAMENTE ficcional. Qualquer semelhança com a realidade é uma completa coincidência. U.U

10.12.10

Srta. Canhão, e o Trabalho Esquisito de Todo Natal


(Ao telefone)
Scarlet: Feliz aniversário, besha.
Srta. Canhão: Que mané feliz que nada. Menina, trabalhei o dia todo, cheguei em casa não tem nem 20 minutos, te juro!
Scarlet: Logo vi. Tava até estranhando, o Natal quase aí e você ainda não tinha aparecido com nenhum trabalho esquisito de fim de ano. Qual é o esquema dessa vez?
Srta. Canhão: Menina, tô trabalhando nessa loja lá no centro, sabe. A maior parte do trabalho é normal, vender sapatos, o de sempre. Mas aí quando o movimento tá mais baixo, geralmente no horário do almoço ou no fim da tarde, eu tenho que ficar em pé na esquina distribuindo panfleto! Imagina, que horror, o sol torrando a minha cabeça e eu distribuindo panfleto!
Scarlet: Ah, pelo menos dessa vez não é nada no mercado de peixe, ou algo assim.
Srta. Canhão: Verdade. Mas sei lá, me sinto praticamente uma prostituta, fazendo ponto na esquina!
Scarlet: Ainda bem que foi você que falou! Hahaha!
Srta. Canhão: ...
Scarlet: Só não esquece de cobrar pelo tempo, heim?



"Consolamo-nos facilmente das desgraças dos nossos amigos
quando estas servem para manifestarmos a nossa ternura por eles"
- François La Rochefoucauld

9.12.10

É Tudo Uma Questão de Perspectiva


Turista: Ai, Scar... Eu gosto tanto do Sr. Land Rover... Mas a situação é tão problemática...
Scarlet: Ué, eu pensei que vocês estavam indo bem...
Turista: Estamos... A gente vai até ver um filme esse fim de semana... É só que... Ele vive viajando, agora mesmo, depois do natal, vai pegar um avião pra Europa, passar as férias por lá...
Scarlet: ... E?
Turista: E aí que ele fica dizendo que quer me levar, mas sabe, Europa... É tão longe, e tão caro... Ele disse que paga, mas... Sei lá, e se toda vez que a gente quiser ficar junto, tiver que viajar pra Europa?
Scarlet: Tá, Turista, me explica, o que você entende exatamente por PROBLEMA?
Turista: ...

8.12.10

O Mal Hábito da Sra. Big


Scarlet Carson, fazendo uma social com a mulher do Sr. Big:

Scarlet: Sra. Big, o que é que você acha de caminhar na praia comigo amanhã, cedinho?
Sra. Big: Caminhar, só, né? Porque correr, eu não corro. Se eu tiver que fugir de um touro, tô ferrada.
Scarlet: Pode ser só caminhada mesmo. Mas eu preciso correr um tempo pra espairecer... Você pode ficar na sorveteria enquanto eu corro, daí eu volto pra te buscar. Que que cê acha?
Sra. Big: Tá certo, amanhã então.

E no dia seguinte...

Scarlet, no fim da corrida: E aí? Foi muito ruim?
Sra. Big, que esperou por meia hora: Nada! Adorei esse negócio de caminhada!
Scarler: Sério? É relaxante, né?
Sra. Big: Cara, se é relaxante eu não sei, mas adorei ficar vendo esse povo pra lá e pra cá usando os maiores acidentes. Tinha um povo correndo engraçado, e o melhor, um monte de cara só de bermuda. Cê devia ter me chamado antes!
Scarlet: ...

Não contei pro Sr. Big, embora eu ache que ele não ficaria exatamente surpreso...

7.12.10

Porque a Turista Sabe Mesmo Socializar...


Turista: Alô?
Sr. Land Rover: Oi, sou eu.
Turista: Eu? Eu quem?
Sr. Land Rover: ... Eu, o Sr. Land Rover.
Turista: Ah, desculpa, não reconheci sua voz.
Sr. Land Rover: Bem... Eu queria saber se você não quer ir ver um filme esse fim de semana, depois sair pra jantar ou algo assim... Eu vou viajar logo, então é a última chance pra gente se conhecer pessoalmente, ainda em 2010...
Turista: Eu topo, se você me disser quem foi que te deu meu telefone.
Sr. Land Rover: Haha! Sinto muito, eu fiz um acordo com ela, não posso contar. Mas ela te conhece bem pra caramba, me avisou que você tentaria barganhar.
Turista: ... Sabe, a cada minuto que eu converso com você, odeio mais ainda essa pessoa que diz ser minha amiga. Mas eu gosto de você, então eu topo. Mas fique sabendo que eu não sou fácil, viu? Vai ser cinema, e jantar, e você me leva em casa...
Sr. Land Rover: Eu vou te levar em casa?
Turista: Claro que vai. Sem paradas no caminho, nem lugares reservados. Nem sequer um escurinho, viu?
Sr. Land Rover: Assim você estraga os meus planos...
Turista: ...
Sr. Land Rover: Brincadeira!
Turista: Sr. Land Rover, você quer mesmo que esse relacionamento dê certo?
Sr. Land Rover: Claro!
Turista: Então não brinque.
Sr. Land Rover: Ela falou que você diria isso também.
Turista: ...

Como eu sei disso tudo?
Quem você acha que deu o telefone pra ele? ;D

6.12.10

Piadinha do Dia



Sr. Megalomaníaco:*assistindo jornal* Amor, ouviu falar do Tropa de Elite 3?
Scarlet:*concentrada escrevendo* Tropa de Elite 3? Você não tá confundindo? Que eu saiba são só dois, amor.
Sr. Megalomaníaco:*assistindo jornal* Não amor, são três. Você não viu? Agora é ao vivo.
Scarlet:*parando pra ver o jornal* ...

Pior de tudo é que eu achei engraçado, depois que entendi... =_=

6.11.10

Sobre a vida e outras coisas igualmente frágeis.

Hoje, Scarlet Carson está de luto.

Recebi a ligação às 22:00 do dia de finados, e ele já estava morto. Não era o meu melhor amigo, não era meu irmão, meu namorado, não era da minha família. Eu nem sequer costumava vê-lo com freqüência.
Ele era um fragmento do meu passado. Na maior parte das vezes uma lembrança, de vez em quando um abraço saudoso ocasionado por um encontro acidental em uma esquina qualquer ou na entrada de um show de rock.
Ele era um garoto. Só um garoto.
"Ele sofreu um acidente de carro. Ele morreu." Essas palavras ficaram ecoando na minha cabeça por um longo, longo tempo antes de parecerem reais. Porque a morte raramente parece real. Soa mais como uma lenda urbana, que nunca se aproxima de você, só dos outros. Só de quem você não conhece.
Não fazia sentido pra mim, e por um tempo continuou a não fazer, até que a palavra "morreu" se encaixou com a imagem do rosto sorridente dele, e eu entendi que nunca mais veria aquele rosto. Nunca mais. Nunca mais é um tempo muito longo.
Aí, a primeira lágrima rolou. E outras mil depois dela.
Eu não conseguia parar de tremer. Tremia de pavor, um pavor tão profundo que pesava na minha respiração e escurecia meus olhos. Um pavor que ainda não passou. Pavor da morte.
A vida é uma coisa ridiculamente frágil. O que é irônico, porque viver é a coisa mais difícil que existe. Você nasce, e só isso já é complicado por si só, aprende a andar, aprende a falar, estuda, constrói sonhos, cria esperanças, arruma um trabalho, bate o carro e morre. Fácil assim. Um segundo, um passo em falso, um escorrego, qualquer coisa. Um sopro e sua vida se foi.
E tão frágil quanto a vida são as nossas lembranças.
Eu fiquei tentando me lembrar de cada detalhe, cada conversa, cada sorriso. Mas minha memória está cheia de buracos, e tudo que eu conseguia pensar eram alguns poucos momentos, o dia em que ele e a Pianista ficaram pela primeira vez, aquela tarde conversando no shopping quando eu não queria ficar sozinha, a orelha furada em segredo, aquele cover de Massacration em Julho de 2006, com um sanduíche estragado e uma caixa de leite, o dia em que ele chorou no cinema, bem do meu lado, e a última vez que eu o vi, quinta-feira, 28 de Outubro de 2010, caminhando ao lado da irmã e da sobrinha. Um aceno com a mão, um sorriso, "quanto tempo não te vejo", "a vida anda corrida, mas está ótima", um abraço, e tudo passou despercebido, cinco dias antes de eu saber que nunca mais vou poder vê-lo. E isso eu sei que nunca vou esquecer.
Entretanto, todo o resto desapareceu. As conversas de horas e horas ao telefone, das quais eu não lembro uma palavra, os passeios de fim de semana, idas à galeria, os planos, os sonhos, e até mesmo as músicas que nós gostávamos de ouvir. Tudo se foi, como se no momento em que me disseram que ele havia morrido, tudo sobre ele tivesse começado a se auto-destruir, todos os vestígios da sua existência. Como se nunca tivesse estado lá.
Mas eu sei que esteve. E sei que cada uma dessas lágrimas não estaria sendo derramada se fosse alguém que eu pudesse esquecer. Atentada pelo pavor, cravei cada uma dessas memórias no papel, para jamais deixá-las ir, e chorei, revivendo cada uma delas.
Em algum lugar, dentro de mim, ainda estou chorando. E vou chorar ainda muito mais.
Eu queria ficar congelada no tempo, com aquelas lembranças, mas mesmo que eu deseje de todo o coração parar de respirar, o ar ainda entra e sai dos meus pulmões sem que eu possa controlar por muito tempo. Eu ainda sinto fome, e sede, durmo quando fico cansada, sinto dor quando me machuco. Não importa o quanto eu queira morrer também, não vai simplesmente acontecer.
E a dor, tanto faz. A vida é uma doença sexualmente transmissível, invariavelmente fatal, frágil como o mais fino cristal. Enquanto eu choro a minha perda, outras vidas começam e terminam, sem que isso faça diferença pra mim, milhões de pessoas choram suas próprias dores sem que a minha importe, e a vida delas continua, como a minha continua.
Tanto faz.
Meu coração também é especialmente frágil. Se parte com muita facilidade. Geralmente tem concerto. Mas dessa vez, dessa vez o que partiu foi algo que eu nunca vou poder concertar. Alguém que esteve lá e nunca mais vai estar. Alguém que eu nunca deixei ninguém saber o quanto era importante. Alguém para quem eu nunca disse adeus, eu te amo, eu também não me arrependo, eu acredito em você, viva pra sempre... Alguém pra quem eu nunca vou poder dizer.
O que se partiu dessa vez não se concerta nunca mais. Como uma vida que não volta. Como as lembranças perdidas. Como as palavras ditas. O tempo não volta atrás, então eu sigo em frente. Apavorada, ferida, com dor.
Mas ele esteve aqui. Eu nunca vou esquecer.



"Mesmo se o amanhã chegar
Mesmo se algum dia eu me tornar um adulto
Tenho certeza de que sempre lembrarei
Que vocês estavam aqui comigo
Eu nunca esquecerei
Mesmo quando estou nos muitos finais deste vasto mundo...
Por esse momento que nunca desaparecerá
Eu agradeço, a todo mundo."